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ECONOMIA

Novo aumento do IOF explicado: Mais uma vez cobrando muito de quem produz

Bruno Trindade explica como o Decreto 12.466/2025 torna mais caro comprar dólar, investir em previdência e tomar crédito no Brasil

Publicado em 29/05/2025 às 17:32

(Foto: Acervo pessoal / Bruno Trindade)

Com o novo Decreto 12.466/2025, o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) virou uma conta mais salgada para famílias, empresas e até para quem pensa em poupar via previdência. Vamos ao que interessa: o que muda para você no dia a dia?

1. Comprar dólar ficou mais caro

Vai viajar para fora do Brasil? Prepare-se: comprar moeda estrangeira em espécie passou de 1,1% para 3,5% de IOF. Parece pouco, mas olha só:

Se você comprar R$ 10.000 reais em dólar:

Antes: R$ 10.000 + 1,1% = R$ 10.110

Agora: R$ 10.000 + 3,5% = R$ 10.350

Ou seja, você paga R$ 240 a mais só de imposto.

E se usar o cartão de crédito internacional, também paga 3,5% sobre cada compra.

2. Previdência privada virou alvo

Investir em um plano VGBL era uma forma inteligente de diversificar o patrimônio e pagar menos imposto no futuro. Mas agora, quem faz aportes mensais acima de R$ 50 mil vai pagar 5% de IOF na entrada.

Ou seja, se você investe R$ 100 mil por mês:

Antes: R$ 0 de IOF

Agora: R$ 100.000 x 5% = R$ 5.000 de imposto só para começar

Sim, 5.000 reais. Isso reduz drasticamente a atratividade do VGBL para quem faz planejamento de longo prazo com aportes robustos.

3. Crédito mais caro para sua empresa

Se você é empresário, preste atenção: o governo aumentou o IOF sobre operações de crédito para empresas de 1,88% ao ano para até 3,95% ao ano. Isso praticamente dobra o custo tributário do financiamento.

Exemplo: um empréstimo de R$ 500 mil por um ano:

Antes: R$ 500.000 x 1,88% = R$ 9.400 de IOF

Agora: R$ 500.000 x 3,95% = R$ 19.750 de IOF

Além disso, operações de antecipação de recebíveis agora são tratadas como crédito e também pagam IOF. Isso afeta diretamente setores como o varejo, que dependem desse tipo de capital de giro.

Mais um aumento de tributo para tentar reduzir o déficit do setor público. Como dizia Gustavo Franco: “o Brasil cobra muito de quem produz e pouco de quem atrapalha”.

Por Bruno Trindade

Sobre o autor:

Consultor-Sócio Tríduo, tem mais de 20 anos de atuação em consultorias como Falconi e Instituto Aquila, atendendo a clientes no Brasil, Canadá, Portugal e Bolívia.


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