Portal da Cidade Ipatinga

Autismo

Daniel do Bem fala do TEA, defende diagnóstico precoce, mais inclusão e empatia – Parte 1

Vereador de Ipatinga explica o que é o TEA, fala sobre os desafios do diagnóstico precoce e mais acesso às políticas públicas

Publicado em 19/07/2026 às 17:49
Atualizado em

(Foto: Reprodução )

Daniel Guedes Soares, o Daniel do Bem, é psicólogo, empresário e vereador em segundo mandato na Câmara Municipal de Ipatinga, tendo alcançado a marca de segundo mais votado da cidade em 2024.

Natural de Caratinga, construiu sua trajetória na assistência social, no empreendedorismo e no trabalho comunitário, sobretudo na cidade ipatinguense.

Antes de ingressar no Legislativo, presidiu a Associação de Moradores do bairro Caravelas, foi secretário municipal de Assistência Social e presidente do Centro de Integração Azul de Ipatinga (CIA), entidade voltada ao apoio de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Pai de uma criança autista, Daniel do Bem transformou a defesa da inclusão e dos direitos das pessoas com deficiência em sua principal bandeira de vida e, consequentemente, na vida pública.

Na Câmara, Daniel do Bem é autor da decisiva Lei Municipal n° 4.138/2021, que assegurou a implantação de políticas públicas que garantem o atendimento aos autistas em Ipatinga.

Seu mandato ainda criou outras 14 leis voltadas à proteção das pessoas com TEA na cidade, como a validade indeterminada dos laudos médicos para autistas (Lei Municipal n° 4.152/2021) e a proibição de fogos de artifício com estampido (Lei Municipal n° 4.165/2021).

Daniel do Bem ainda é autor de outros projetos de lei, aprovados em 2026, que beneficiam a família autista ipatinguense e que aguardam sanções do Executivo para que se tornem leis municipais.




Entrevista


1 – Repórter: Daniel, como explicar para a sociedade o que é o Transtorno do Espectro Autista (TEA) de forma simples e objetiva?

Daniel do Bem: O autismo é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta a forma como a pessoa se comunica, interage e percebe o mundo. Pode causar atrasos na fala, dificuldades na interação social, comportamentos repetitivos e desafios no desenvolvimento motor. Cada pessoa autista é única e apresenta características e necessidades diferentes.


2 – Repórter: O que o levou a se tornar um ativista da causa autista?

Daniel do Bem: Minha história começou com o diagnóstico de autismo do meu filho. Vivi as mesmas dificuldades enfrentadas por milhares de famílias, como a falta de acesso ao diagnóstico e também às terapias e às políticas públicas. Foi essa realidade que me motivou a lutar para que outras famílias tenham mais acolhimento, respeito e acesso aos seus direitos.




3 – Repórter: O que significam os níveis de suporte no autismo?

Daniel do Bem: Os níveis de suporte indicam o quanto a pessoa precisa de ajuda no dia a dia, e não a gravidade do autismo ou sua inteligência. O nível 1 exige menos apoio, o nível 2 requer suporte intermediário e o nível 3 demanda acompanhamento mais intenso nas atividades de rotina dos autistas.


4 – Repórter: Por que hoje há mais diagnósticos de autismo do que há 20 anos?

Daniel do Bem: Não acredito que existam “mais” casos de autismo. O que aumentou foi a capacidade de identificar a condição. Hoje há mais informação, profissionais preparados, critérios diagnósticos atualizados e famílias mais atentas aos sinais, o que facilita o diagnóstico.

Inclusive, uma das minhas lutas junto ao poder público é sobre a permanente dificuldade de diagnósticos fornecidos pelo SUS. Enfatizo que isto não é favor! É direito!


5 – Repórter: Quais os prejuízos do diagnóstico tardio do autismo?

Daniel do Bem: O diagnóstico de autismo nunca é um momento fácil para a família. E o diagnóstico tardio pode comprometer o desenvolvimento da pessoa, já que ela deixa de receber intervenções importantes na infância. Além disso, aumenta o risco de problemas, como: ansiedade, depressão, baixa autoestima e dificuldades de relacionamento. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores são as oportunidades de desenvolvimento e qualidade de vida para um autista. Quanto mais cedo houver a identificação e o encaminhamento para o tratamento e as intervenções adequadas, maiores serão as oportunidades de desenvolvimento, inclusão e qualidade de vida. Além disso, o diagnóstico precoce traz mais segurança e esperança para a família, que passa a compreender melhor a condição, e a buscar o suporte necessário. Exatamente por essas razões, que, no caso da saúde pública, o SUS precisa facilitar, ao invés de burocratizar, o acesso do paciente e de sua família a esse diagnóstico.




6 – Repórter: Sua trajetória sempre esteve ligada ao trabalho social. Foi essa experiência que o motivou a entrar para a vida pública?

Daniel do Bem: Sem dúvida. Minha atuação em movimentos sociais, na Igreja e em entidades sempre despertou em mim o desejo de servir, herança do meu pai. Mas o que realmente me levou para a política foi a dura realidade das famílias atípicas. Em 2018, durante uma audiência pública sobre o autismo, percebi que essas famílias não tinham voz nem representatividade. Ali entendi que era preciso ocupar esse espaço para lutar por direitos, políticas públicas e mais dignidade a quem convive com o autismo. E sou feliz por ter tido a coragem de tomar essa decisão. Já avançamos bem nos últimos anos, mas sei que ainda há muito por fazer, e vamos fazer.

Fonte: Portal da Cidade Ipatinga

Participe do grupo do Portal da Cidade no WhatsApp